Conheça o mistério sobre suposta aparição de ETs em lagoa de Feira de Santana Ao longo de seus 193 anos, completados nesta sexta-feira (18), a cidade de Feira de Santana acumula diversas histórias, personagens e acontecimentos pitorescos que fazem parte do imaginário dos feirenses. Entre esses feitos está um dos relatos ufológicos mais conhecidos do estado: a suposta queda de um objeto voador em uma lagoa da cidade há mais de 30 anos.
A história remonta a manhã de 12 de janeiro de 1995, na Lagoa da Berreca, localizada no bairro Registro. Segundo o relato que se popularizou, um fazendeiro conhecido como Seu Beto teria encontrado dentro da água uma estrutura semelhante a uma grande bacia metálica, com tamanho aproximado ao de um Fusca.
📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Feira de Santana e região Dentro do objeto, estavam dois seres de aparência incomum: um deles seria pequeno, peludo e teria unhas ou garras grandes; o outro teria aparência mais próxima à humana, com olhos grandes, sem cabelos, braços e pernas proporcionais ao corpo e cerca de cinco dedos nas mãos. Com isso, a história não parou na lagoa. O relato chegou a pesquisadores de ufologia, foi publicado em livro e passou a ser contado por moradores da região.
Mais de três décadas depois, o episódio continua cercado de mistério. "Eu fiquei arrepiado", lembra testemunha do relato O ambientalista João Dias tinha 32 anos quando ouviu a história diretamente do homem apontado como testemunha principal, Roberto Lima, o Seu Beto. Ambientalista João Dias Allan Emanuel Dois dias depois do suposto episódio, Dias foi até a fazenda do homem.
Na época, o ambientalista trabalhava com lagoas e conhecia a região, por isso, Beto o convocou. Ele lembra que o fazendeiro falava agitado enquanto narrava o que presenciou: Beto disse que havia ido à lagoa durante a manhã para caçar aves aquáticas, que eram usadas como alimento. Ao chegar às margens, teria percebido dentro da água uma estrutura grande, semelhante a uma bacia tampada.
O objeto teria outra parte acoplada e uma espécie de porta. A estrutura, segundo a descrição, parecia ser feita de um material leve, semelhante ao alumínio, mas resistente. Curioso, o fazendeiro detalhou que bateu no objeto para tentar entender do que se tratava e, assim, percebeu um dos seres extraterrestres.
Era uma criatura pequena, com pelos e unhas grandes, que Dias descreveu como semelhante a um bicho-preguiça. O outro ser teria aparência mais próxima à humana, com olhos grandes, sem cabelos, braços e pernas proporcionais ao corpo e cerca de cinco dedos nas mãos. Lagoa de Feira de Santana é cenário de relato sobre supostos ETs há mais de 30 anos Ilustração | Alberto Romero Segundo Dias, Beto apontou ainda que uma gosma de cor azul teria começado a sair da estrutura.
Para o fazendeiro, aqueles seres estranhos estavam mortos, então ele contou com a ajuda de um vaqueiro para retirar o objeto da água. “Eu fiquei arrepiado”, lembrou Dias ao detalhar o momento em que ouviu o relato. História foi registrada em livro de ufologia Quatro anos após o suposto episódio, a história ganhou um dos principais registros escritos conhecidos.
O jornalista, artista plástico e pesquisador de ufologia Alberto Romero publicou o caso no livro "Verdades que incomodam", lançado em 1999. Relato contado com fazendeiro nunca foi possível ser comprovado Ilustração | Alberto Romero Romero, argentino radicado no Brasil e fundador do Grupo de Pesquisas Aeroespaciais Zênite (G-PAZ), dedicou parte da carreira à investigação de relatos sobre objetos voadores não identificados.
No livro, ele descreveu que, em janeiro de 1995, um objeto do tamanho aproximado de um Fusca teria caído em uma lagoa próxima a Feira de Santana. Conforme registrado pelo pesquisador, dois corpos teriam sido retirados da estrutura. Em outro trecho, Romero reproduziu o relato atribuído ao fazendeiro identificado apenas como "senhor B.".
Segundo o texto, o homem teria afirmado que viu um objeto luminoso cair dentro da lagoa durante a madrugada. A estrutura estaria parcialmente submersa e teria liberado um líquido gosmento antes que duas criaturas fossem encontradas. Uma delas teria cerca de 90 centímetros, aparência semelhante à humana e estaria morta.
A outra seria peluda, teria garras compridas nas mãos e nos pés e ainda estaria viva. Trecho do livro "Verdades que incomodam" de Alberto Romero Reprodução | Verdades que Incomodam Romero escreveu que chegou a fazer contato com a testemunha e planejava viajar para Feira de Santana para investigar o caso. Ele, no entanto, não conseguiu examinar os supostos seres.
Na noite seguinte, segundo o livro, uma mulher que se identificou como esposa do fazendeiro afirmou por telefone que nada havia acontecido e pediu que os pesquisadores não voltassem a ligar. Ela teria dito que o marido era "um bêbado e mentiroso". Romero registrou dúvidas sobre o episódio e levantou diferentes hipóteses, que iam de uma mentira criada pelo fazendeiro a uma possível armadilha para pesquisadores.
Anos depois, porém, o pesquisador passou a defender a possibilidade de que o episódio tivesse realmente acontecido. Até o Exército foi envolvido na história 35º Batalhão de Infantaria (35º BI) de Feira de Santana Blog do Velame Um dos pontos que mais alimentam o mistério é a suposta participação do Exército. Segundo João Dias, Seu Beto contou que, depois que a notícia sobre o objeto se espalhou, pessoas que identificou como militares chegaram à fazenda sem que tivessem sido acionadas por ele.
O fazendeiro teria relatado que foram usados dois caminhões e um jipe para retirar o objeto e os corpos da lagoa. A versão também aparece no livro de Alberto Romero. Segundo o pesquisador, uma pessoa afirmou ter visto, por volta das 5h ou 5h30 da manhã, três caminhões saindo do 35º Batalhão de Infantaria (35º BI), em Feira de Santana, em direção à região da fazenda.
Romero também relacionou o episódio a um suposto apagão ocorrido na madrugada de 12 de janeiro de 1995. João Dias disse que chegou a conversar sobre o episódio com comandantes que passaram pelo Exército. Mas nenhum deles quis comentar o assunto.
Trecho do livro "Verdades que incomodam" de Alberto Romero Reprodução | Verdades que Incomodam O que foi possível comprovar? Apesar de ter sido registrado em livro de ufologia, o episódio permanece sem comprovação das principais evidências. O g1 não encontrou registros jornalísticos independentes sobre a suposta queda do objeto na Lagoa da Berreca, nem documentos que comprovem a retirada da estrutura ou dos corpos.
Também não foram localizadas fotografias ou outras evidências materiais dos supostos seres ou do objeto descrito como disco voador. O 35º Batalhão de Infantaria Batalhão Luiz Barbalho Bezerra informou, em nota, que "desconhece o assunto mencionado" e que, após consulta aos registros disponíveis, não encontrou documentação referente ao fato relatado em 1995. O g1 tentou localizar familiares de Roberto Lima, apontado como Seu Beto, mas não conseguiu contato até a publicação desta reportagem.
Além disso, a suposta falta de energia não pôde ser relacionada ao episódio. Embora o apagão seja mencionado no livro de Romero, o portal não encontrou documentos que permitam confirmar a situação e, por consequência, qualquer relação com o objeto supostamente encontrado. Relatos de luzes no céu João Dias ressaltou que outras pessoas teriam relatado ter visto luzes no céu na madrugada de 12 de janeiro de 1995, inclusive em municípios da região.
"Eu acredito nessa história, não apenas por esse caso, mas porque já visitei outras cidades onde também existem relatos semelhantes. O universo é tão grande que eu não acredito que estamos sozinhos". Apesar disso, Dias reconhece que não há comprovação dos relatos.
Até hoje, o que permanece são relatos e registros escritos sobre um episódio cujas principais evidências nunca foram apresentadas publicamente. "Se nada for feito, ela desaparece" Lagoa de Berreca em Feira de Santana Valdenir Lima A mesma lagoa que aparece no centro desse mistério também passou, nas últimas décadas, por uma transformação ambiental. João Dias lembra que o local era conhecido anteriormente como Lagoa do Registro, nome do bairro onde está situada.
Já o título atual teria surgido na década de 1990, quando o lago começou a perder água e apresentar sinais de degradação. Um morador chamado Berreca, proprietário de uma casa localizada em frente ao espelho d’água, teria passado a defender a preservação do espaço. Com o tempo, a área passou a ser associada ao nome dele.
Na época em que o suposto episódio aconteceu, em 1995, a paisagem era diferente. Havia mais árvores no entorno, menos ocupação urbana e nenhum condomínio próximo à lagoa. Também não havia, de acordo com o ambientalista, os atuais problemas relacionados ao esgotamento sanitário.
Hoje, a transformação é visível. A lagoa perdeu volume, biodiversidade e parte da vegetação. A bacia lacustre está assoreada, há presença de lixo nas imediações e problemas relacionados à poluição e ao esgotamento sanitário.
Animais que faziam parte daquele ambiente também deixaram de ser encontrados com a mesma frequência. É o caso de aves, como o frango-d'água e o pinto-d'água, além de espécies de peixes nativos e até registros de camarões. "Mudou totalmente.
Antes, você tinha uma lagoa com uma biodiversidade muito grande. Hoje, você já não encontra mais muitas das espécies que existiam ali", lamentou o ambientalista. Também em entrevista ao g1, a bióloga Taise Bomfim de Jesus, professora da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), apontou a urbanização desordenada como um dos principais problemas ambientais da Lagoa da Berreca.
“O principal problema do Berreca é a urbanização desordenada. As construções irregulares invadem a área da lagoa, as fossas contaminam as águas subterrâneas e os condomínios que possuem estações de tratamento não passam por controle e manutenção”. Segundo a bióloga, é necessário limitar a ocupação das áreas próximas à lagoa e impedir o aterramento de áreas lagunares.
"É preciso investir em saneamento básico de qualidade. A falta dessas ações reduz a área para a biodiversidade, compromete o equilíbrio climático e contamina os recursos hídricos", complementou. A presença de poluição também pode afetar de maneira diferente as espécies que vivem no ambiente.
Ela citou, como exemplo, o acompanhamento feito pela universidade em lagoas da região. "A Uefs realiza análises de qualidade de água de algumas lagoas há mais de 15 anos e percebemos que os ambientes respondem às pressões antrópicas do seu entorno", explicou. Apesar disso, Taise defende que a recuperação ambiental da Lagoa da Berreca é possível, desde que as ações que provocam os impactos sejam interrompidas.
A preservação do espaço precisa ser priorizada. "O meio ambiente é bem resiliente quando cessa a pressão. Ou seja, só depende da mudança comportamental".
Mas, enquanto isso, a lagoa permanece — e a transformação dela ao longo de três décadas pode ser observada. LEIA MAIS Investigação sobre OVNI no Brasil faz parte de nova leva de documentos liberados pelos EUA Ciclistas garantem que viram óvni em serra; ufólogo avalia fotos e confirma De diamantes e óvnis a águas cristalinas e cavernas: conheça histórias e belezas da Chapada Diamantina, na Bahia Veja mais notícias de Feira de Santana e região. Assista aos vídeos do g1 e TV Subaé 💻
